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Comissariado atual passou por uma longa história. Em 1808, houve
a independência do Comissariado de Portugal, sendo erigido o Comissariado
do Brasil, com sua sede à Rua Santo Sepulcro, nº 10, Cascadura,
Rio de Janeiro. Tal Comissariado compreendia o Rio de Janeiro (sede),
com filiais na Bahia e em Sabará (MG). Por outro lado, constam
nos arquivos da Custódia da Terra Santa os nomes (alguns sem o
sobrenome) dos Comissários do Brasil da época e o ano em
que visitaram a Custódia: Frei Francisco (1808); Frei Leonardo
(13/07/1844); Frei José Damasus Pereira (15/10/1855); Frei Rafael
Girardengo (setembro de 1872); Frei Aloísio Zaccagni (26/12/1874);
Frei José Maria (01/08/1878); Frei Alexandre Ignatius Brid (06/03/1893);
Frei Ciríaco Hielscher (12/11/1907); Frei Júlio Berten (15/03/1917)
e Frei Paulo Stein (03/02/1923). (Cf. arquivo: Status Terrae Sanctae,
De Commissariis Terrae Sanctae, 1924, p. 162.).
Documentos da Superintendência Fazendária Imperial revelam
que em 1881 a área, calculada na época em 38.229 metros
quadrados, passa a ter como foreiro o Frei José Maria Dollarto.
Trinta anos depois, isto é, 1911, uma nova demarcação
do terreno é feita e a planta imobiliária da Superintendência
Fazendária Imperial mostra como proprietária da área
a Obra Pia da Terra Santa no Brasil.
Consta no arquivo da Custódia uma carta (manuscrita) ao Revmo.
Frei Aurélio da Buya, Custódio, datada a 21 de maio de 1897,
na qual ele cita o Comissariado de Petrópolis,
ao escrever da Bahia, reclamando que estavam querendo vender o Comissariado
de lá e que haveria dificuldades em conseguir outro local, uma
vez tal Comissariado não tinha mais espaço junto ao Comissariado
de Petrópolis. Esta carta é assinada pelo Frei Isaia Piscitelli
. (Fonte: Arquivo da Custódia da Terra Santa, Jerusalém,
Israel.)
O Comissário da Terra Santa no Brasil, Frei Alexandre I. Brid,
em seu livro, de 1895, escreve os seguintes dados:
“Para recolher as esmolas dos fieis e remette-las á Terra
Santa, a Ordem Franciscana tem incumbidos, em todas as nações
catholicas, religiosos da mesma Ordem que estão divididos em Commissariados
chamados da Terra Santa... [...]. Petropolis – Commissariado Geral
da Terra Santa no Brasil, Rvd. P. Fr. Alexandre I. Brid – Hospicio
da Terra Santa”. (O Santo Sepulchro de Nosso
Senhor Jesu-Christo, com mais algumas noticias e appendices, pelo P. Commissario
da Terra Santa: Fr. Alexandre I. Brid, Rio de Janeiro (Typ. Leuzinger),
1895, p. 41-42.)
Sabemos que o Comissariado da Terra Santa funcionou em
Petrópolis até o ano de 1918. Neste ano, uma grave epidemia
de gripe, após o término da 1ª Guerra Mundial deixou
um grande número de crianças e idosos desamparados, por
terem perdido seus familiares. Essas pessoas necessitavam de cuidados
especiais e isso preocupou algumas personalidades da sociedade petropolitana
(Wenceslau Braz Pereira Gomes; Conselheiro Rui Barbosa; Barão de
Oliveira Castro; Princesa de Belford, Herminia de Souza Sampaio; Conde
de Paranaguá, Mário Pinheiro; Conde Paulo de Frantis e muitas
outras), que se mobilizaram buscando auxílio. No dia 14 de abril
daquele ano, o grupo fundou a Associação Protetora do Recolhimento
de Desvalidos de Petrópolis. A instituição contava
com a contribuição da sociedade para a manutenção
financeira e a dedicação das religiosas da Congregação
de São José de Chambery no atendimento diário.
Em 9 de maio de 1919, foi lavrada no Cartório do 2º Ofício
de Justiça a escritura de compra e venda do imóvel, tendo
como vendedora a Obra Pia da Terra Santa no Brasil e
como compradora, a Associação Protetora do Recolhimento
de Desvalidos de Petrópolis.
A associação foi aos poucos determinando seu carisma em
atender somente crianças e, sobretudo, optando pelos meninos, quando
em 1969 passou a denominar-se Casa dos Meninos de Petrópolis.
Atendendo em regime de internato, esse trabalho permaneceu até
1989, quando, para melhor se adequar às necessidades dos usuários,
passou para o regime de semi-internato.
A partir de 1998, a Província Franciscana da Imaculada Conceição
do Brasil passou a fazer parte, ainda que indiretamente, do trabalho desenvolvido
pelo Centro Educacional Terra Santa (CETS). Naquele ano, elegeu-se nova
diretoria, tendo como presidente o Frei Johannes B. Bahlmann. Toda a equipe
de coordenação foi renovada. As Irmãs Franciscanas
de Siessen e frades estagiários (estudantes do Instituto Teológico
Franciscano) começaram a trabalhar em busca de resgatar o carisma
inicial de atender crianças e adolescentes desprovidos dos direitos
básicos da vida.
Em 2005, a Província Franciscana da Imaculada
Conceição do Brasil assumiu, financeiramente, o
Projeto Cultura pela Paz, nomeando Frei Ivo Muller, como frade
responsável pelo projeto.
No dia 08 de outubro de 2007, às 18 horas, realizou-se a Assembléia
Geral Extraordinária do Centro Educacional Terra Santa, que votou
em favor da dissolução da entidade, conforme o parágrafo
único do artigo 33 do seu Estatuto, com a passagem de seus bens
imóveis, bens móveis e projetos em andamento à Província
Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. No dia 12
de outubro do mesmo ano, o Definitório (Conselho) da Província
aprovou tal doação, para que se pudesse dar continuidade
aos projetos propostos.
Em base a tal aprovação, entrou também o Comissariado
da Terra Santa, que volta às suas origens, funcionando
em modo oficial em sua sede original.
Atualmente, além do Comissário, são oito frades estudantes
de Teologia fazem estágio no CETS e dão importante contribuição
nos serviços de captação de recursos, visitação
e atendimento às famílias das crianças atendidas,
inserção de jovens no mercado de trabalho e encadernação.
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