L. Mbuyamba, presidente da IFCM (Federação Internacional
de Música Coral), saudou entusiasticamente os participantes
do primeiro Festival de Corais Árabes, “Aswàtuna”
(as nossas vozes), que aconteceu em Petra (Jordânia), entre
os dias 19 e 22 de agosto. Ele ressaltou que a universalidade do trabalho
do IFCM requer que estejamos particularmente atentos a uma região
na qual a prática coral ainda não é tão
expressiva. Este evento nos oferece a ocasião para descobrir
e aprender novas realidades, para construir novas pontes entre projetos
e culturas diversas.
“O festival nos deu mais do que esperávamos”, disse
Hania Soudah Sabbara, diretor do Coro “Magnificat” da
Custódia da Terra Santa, que participou do evento. “A
música coral está em expansão no Oriente Médio”,
continuou a dizer e exemplificar.
O coro vindo da Síria era formado pelos estudantes do Conservatório
de Damasco. Há 16 anos o ministério da Cultura da Síria
havia convidado o Mº. Victor Babenko, um célebre diretor
do Conservatório de Mosca, encarregando-o de formar um coro.
Há alguns anos o Presidente Hariri deu uma grande ajuda para
o sustento do coro vindo do Libâno.
Devido a uma dificuldade em conseguir a permissão para atravessar
a fronteira, os cantores vindos do Iraque tiveram que esperar durante
36 horas. O coro da Jordânia que, animado pelo Shireen Abu Khader,
foi o organizador do Festival, teve a honra da presença da
Regina Madre, e recebeu as honras da TV e de outros meios de comunicação.
Como os coros relembraram cantos antigos e conhecidos por todos, o
repertório suscitou um grande interesse popular e agradou a
todos.
Assim, esta é a primeira ponte construída pelos corais,
uma ponte que felizmente une as duas culturas. Não por nada,
no festival estava presente um coro da Suécia, o único
não árabe. Há muitos anos o governo da Suécia
sustenta o desenvolvimento da música nos países cujas
pessoas têm mais vontade de guerrear do que cantar. Vale ressaltar
que em Petra a Suécia também foi a principal patrocinadora.
O Coro “Magnificat” da Custódia da Terra Santa
executou todos os cantos em árabe e, devido ao serviço
litúrgico que desenvolve na Terra Santa, apresentou o melhor
do seu repertório sagrado. Embora a execussão acontecesse
num ambiente islâmico, os cantos, compostos ou armonizados pelo
P. Armando Pierucci, foram acolhidos com grande respeito, também
quando recordavam o Natal em Belém ou a morte do Messias em
Jerusalém. Isso ressalta uma boa relação que
tradicionalmente sempre existiu no Oriente Médio, ao menos
quando o fanatismo não interrompeu esse diálogo.
“Assim”, concluiu Hania saudando os coros, “gostaria
de construir uma ponte que nos faça encontrarmo-nos novamente
todos juntos em Belém na noite de Natal”. A proposta
foi acolhida por um grande aplauso.
Frei Armando Pierucci
Tradução: Frei Diego
Atalino de Melo
Fonte: http://www.custodia.org/spip.php?article3791